A TECNOLOGIA NÃO É UMA FERRAMENTA: CONTRIBUIÇÕES DA PEDAGOGIA CRÍTICA PARA A COMPREENSÃO DA NÃO NEUTRALIDADE TECNOLÓGICA NA EDUCAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n6-035Palavras-chave:
Educação, Formação docente, Instrumentalismo, Inteligência artificial, Não neutralidade tecnológica, Pedagogia críticaResumo
A concepção de tecnologia como ferramenta neutra - simples meio a serviço de fins humanos - está entre as ideias mais difundidas e, ao mesmo tempo, mais problemáticas no debate educacional contemporâneo. Este artigo argumenta que essa concepção instrumentalista é insuficiente e pedagogicamente perigosa, pois obscurece o fato de que toda tecnologia carrega em si valores, escolhas, relações de poder e condicionamentos culturais que transformam as práticas, os sujeitos e as instituições que a adotam. Reconhecendo que existem perspectivas legítimas que enfatizam o potencial emancipatório das tecnologias - como as de Pierre Lévy e Seymour Papert -, este artigo não nega as possibilidades abertas pela inovação tecnológica, mas problematiza a ausência de reflexão crítica que frequentemente acompanha sua adoção nas escolas. A partir de referenciais como Langdon Winner, Andrew Feenberg, Neil Postman, Vani Kenski, Álvaro Vieira Pinto e Paulo Freire - tomado como eixo pedagógico central -, analisa-se o caráter não neutro das tecnologias digitais e suas implicações para a educação. Uma seção específica é dedicada à inteligência artificial generativa - o principal fenômeno tecnológico contemporâneo -, examinando como sistemas como o ChatGPT recolocam, de forma urgente, a questão da neutralidade no centro do debate pedagógico. Trata-se de um ensaio teórico-bibliográfico que mobiliza fontes da filosofia da tecnologia, da pedagogia crítica e da tecnologia educacional. Conclui-se que compreender a não neutralidade tecnológica é condição indispensável para uma prática pedagógica genuinamente emancipatória.
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