GOVERNANÇA ÉTICA DE DADOS NA ERA DIGITAL: PRIVACIDADE, DIGNIDADE HUMANA E LIMITES DA MEDIAÇÃO ALGORÍTMICA
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n3-018Palavras-chave:
Ética digital, Governança de dados, Privacidade, Proteção de dados, Mediação algorítmicaResumo
Este artigo analisa os desafios éticos da governança de dados na era digital, com ênfase na privacidade, na proteção de dados pessoais e na dignidade humana, diante da ampliação da coleta massiva de informações, da circulação intensiva de dados e da mediação algorítmica das relações sociais. O objetivo consiste em examinar de que modo a expansão das tecnologias digitais compromete a proteção desses valores e quais parâmetros éticos e normativos podem contribuir para sua preservação. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, desenvolvida a partir da análise de obras teóricas, artigos científicos e marcos normativos nacionais e internacionais diretamente relacionados ao tema. A análise indica que a expansão do uso de serviços digitais não assegura, por si só, governança adequada da informação, pois persistem assimetrias informacionais, baixa transparência nos tratamentos automatizados e limitações no controle exercido pelos usuários sobre seus dados. Conclui-se que a governança ética de dados depende da articulação entre transparência, accountability, gestão de riscos informacionais e mecanismos concretos de proteção capazes de qualificar o uso de dados e reduzir efeitos adversos da mediação algorítmica.
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