PLANTAS MEDICINAIS NO TRATAMENTO ADJUVANTE DO CÂNCER DE PULMÃO: EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS, EFEITOS FARMACOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.058-003Palavras-chave:
Dor Câncer de pulmão, Fitoterapia, Oncologia integrativa, Plantas medicinais, Tratamento adjuvanteResumo
O presente capítulo tem como objetivo analisar, de forma ampliada, o uso de plantas medicinais como estratégia adjuvante no tratamento do câncer de pulmão, destacando as evidências científicas disponíveis, os principais efeitos farmacológicos dos compostos bioativos e as implicações para a prática clínica. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida a partir da seleção de estudos indexados em bases de dados nacionais e internacionais, como PubMed, Scopus e SciELO, priorizando publicações recentes e de relevância na área da oncologia integrativa. Os resultados evidenciam que diversas plantas medicinais, incluindo Curcuma longa (cúrcuma), Zingiber officinale (gengibre) e Camellia sinensis (chá verde), apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, imunomoduladoras e antiproliferativas, atuando em vias celulares relacionadas à carcinogênese e progressão tumoral , diminuindo a ativação das vias : Fosfatidilinositol 3-quinase (Phosphoinositide 3-Kinase) , Proteína Quinase B (Protein Kinase B) e Alvo Mecanístico da Rapamicina (Mechanistic Target of Rapamycin). Curcumina, Inibe vias como NF-κB, COX-2, TNF-α, IL-1β e IL-6 e Modula macrófagos, linfócitos e citocinas inflamatórias; 6-gingerol, 8-gingerol, 10-gingerol, 6-shogaol, paradol, zingerona Reduz a ativação do Fator Nuclear Kappa B (NF-κB), inibe a via da Proteína Quinase B (Akt), diminui a produção de prostaglandinas, reduz a síntese de Óxido Nítrico (NO – Nitric Oxide) e reduz a liberação de citocinas pró-inflamatórias, como o Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-α), a Interleucina 1 Beta (IL-1β) e a Interleucina 6 (IL-6), Epigalocatequina-3-galato inibe NF-κB, mediadores inflamatórios e vias associadas à inflamação crônica tais substâncias podem contribuir para a redução de efeitos adversos associados à quimioterapia, como náuseas, fadiga e inflamação sistêmica, promovendo melhora na qualidade de vida dos pacientes. Contudo, foram identificadas limitações importantes, como a heterogeneidade metodológica dos estudos, ausência de padronização de doses, escassez de ensaios clínicos robustos e riscos de interações medicamentosas. Conclui-se que o uso de plantas medicinais no contexto do câncer de pulmão apresenta potencial terapêutico relevante como abordagem complementar, desde que baseado em evidências científicas e realizado sob supervisão profissional qualificada, sendo fundamental o desenvolvimento de pesquisas clínicas mais rigorosas para sua incorporação segura na prática assistencial.
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