A ETNOMATEMÁTICA NA CONSTRUÇÃO DO COCAR KAWAIWETE
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.050-056Palavras-chave:
Educação Indígena, Educação Matemática, Etnomatemática, Interculturalidade, MatemáticaResumo
Este trabalho busca evidenciar a importância da etnomatemática na valorização dos saberes tradicionais indígenas, com ênfase na construção do cocar pelo povo Kawaiwete. O objetivo central é compreender como os conhecimentos matemáticos presentes nas práticas culturais contribuem para fortalecer a identidade, a memória e o pertencimento dessa etnia, reconhecendo a matemática como uma expressão viva do cotidiano cultural. A metodologia adotada é de abordagem qualitativa, envolvendo pesquisa bibliográfica e de campo. Foi realizada uma oficina com professores locais, na qual foram trabalhados e refletidos os saberes matemáticos tradicionais relacionados à confecção do cocar, considerando aspectos como simetria, organização espacial, padronização e respeito à natureza. Os dados obtidos foram analisados à luz da teoria da etnomatemática, que reconhece a diversidade de formas de pensar e fazer matemática em diferentes culturas, além do paradigma decolonial, que valoriza o conhecimento indígena e combate a hegemonia do conhecimento ocidental. Os resultados demonstram que conceitos matemáticos fundamentais estão presentes na confecção do cocar, tais como simetria, proporcionalidade e padronização, além de aspectos simbólicos e estéticos ligados à cultura indígena. A prática de coletar penas, respeitando a natureza e sem prejudicar as aves, expressa uma racionalidade cultural que alia conhecimento técnico a valores éticos. Conclui-se que a etnomatemática é uma ferramenta potente para promover a inclusão cultural no Ensino de Matemática, fortalecendo os saberes tradicionais como forma de resistência e afirmação identitária. Além disso, evidencia a importância de integrar esses conhecimentos aos processos educativos, reconhecendo-os como fontes legítimas de produção do conhecimento. Assim, o estudo reforça que a matemática está presente no cotidiano indígena, ajudando a valorizar e preservar culturas ancestrais.
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