MANIFESTAÇÕES DERMATOLÓGICAS DA HANSENÍASE: ASPECTOS CLÍNICOS, DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.036-027Palabras clave:
Hanseníase, Mycobacterium leprae, Manifestações dermatológicas, Neuropatia periférica, Lesões cutâneas, Eritema nodoso hansênico, Reação hansênica, Poliquimioterapia, Diagnóstico clínico, Saúde públicaResumen
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com predileção por pele e nervos periféricos, configurando-se como importante problema de saúde pública em países endêmicos como o Brasil. As manifestações dermatológicas constituem o principal eixo clínico da doença e, frequentemente, representam o primeiro sinal detectável, sendo fundamentais para o diagnóstico precoce e prevenção de incapacidades permanentes. A expressão cutânea da hanseníase reflete a interação entre o bacilo e a resposta imune celular do hospedeiro, determinando um espectro clínico que varia conforme o perfil imunológico. Nas formas paucibacilares, há predomínio de resposta imune celular eficaz, resultando em lesões bem delimitadas, geralmente únicas ou em pequeno número, com hipoestesia precoce e perda de anexos cutâneos. Já nas formas multibacilares, associadas a deficiência da imunidade celular, observa-se infiltração cutânea difusa, múltiplas lesões simétricas, nódulos e espessamento da pele, podendo ocorrer madarose e alterações faciais características. As lesões elementares incluem máculas hipocrômicas ou eritematosas, placas infiltradas, pápulas, nódulos e infiltração difusa. A alteração da sensibilidade térmica, dolorosa ou tátil é achado semiológico central e deve ser sistematicamente investigada. Estados reacionais, como a reação tipo 1 (reversa) e a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico), podem agravar o quadro cutâneo e neural, aumentando o risco de sequelas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de lesão cutânea com alteração sensitiva, espessamento neural periférico e/ou identificação de bacilos álcool- ácido resistentes em exames específicos. A baciloscopia e a biópsia cutânea auxiliam na classificação e confirmação diagnóstica. O tratamento fundamenta- se na poliquimioterapia padronizada pela Organização Mundial da Saúde, com rifampicina, dapsona e clofazimina, promovendo regressão das lesões e interrupção da transmissibilidade. O manejo adequado dos estados reacionais é essencial para prevenir dano neural irreversível. Assim, o reconhecimento precoce das manifestações dermatológicas permanece como estratégia central para redução da morbidade associada à hanseníase.
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Referencias
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