SAÚDE BUCAL E FUNCIONALIDADE NA PESSOA IDOSA: A INTER-RELAÇÃO ENTRE EDENTULISMO, SARCOPENIA, DISFAGIA E ESTADO NUTRICIONAL COMO MARCADOR DE FRAGILIDADE E IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA - UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR À LUZ DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL E DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.068-065Palavras-chave:
Atenção integral, Capacidade funcional, Envelhecimento, Fragilidade, Saúde bucalResumo
O envelhecimento populacional amplia a necessidade de compreender as condições que comprometem a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa. Nesse contexto, a saúde bucal constitui uma dimensão fundamental do cuidado integral, uma vez que o edentulismo, as alterações mastigatórias e os comprometimentos da deglutição podem interferir na alimentação, no estado nutricional e na manutenção da capacidade funcional. O presente estudo tem como objetivo analisar a inter-relação entre edentulismo, sarcopenia, disfagia e estado nutricional como componentes associados à fragilidade da pessoa idosa, discutindo suas repercussões sobre a qualidade de vida e as possibilidades de cuidado interdisciplinar à luz da Política Nacional de Saúde Bucal e da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Trata-se de uma revisão bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-exploratório, fundamentada em publicações científicas e documentos normativos relacionados ao envelhecimento, à saúde bucal, à funcionalidade e à atenção integral no Sistema Único de Saúde. A literatura aponta que a perda dentária e a redução da eficiência mastigatória podem limitar a variedade e a consistência dos alimentos consumidos, favorecendo inadequações nutricionais em determinados contextos. A desnutrição e a sarcopenia, por sua vez, podem comprometer a musculatura envolvida na mastigação e na deglutição, contribuindo para um processo de vulnerabilidade funcional. A disfagia acrescenta riscos relacionados à ingestão insuficiente de alimentos e líquidos, à aspiração e à redução do prazer associado à alimentação. Essas condições apresentam relações multifatoriais e nem sempre seguem uma sequência causal única, exigindo avaliação individualizada. Destaca-se que a integração entre odontologia, nutrição, fonoaudiologia, medicina, enfermagem e demais áreas da saúde pode favorecer a identificação precoce de alterações, a reabilitação funcional e a continuidade do cuidado. Conclui-se que a saúde bucal deve ser reconhecida como componente da avaliação integral da pessoa idosa, sendo necessária a articulação entre prevenção, reabilitação oral, acompanhamento nutricional e cuidado interdisciplinar para contribuir com a preservação da autonomia, a prevenção da fragilidade e a melhoria da qualidade de vida.
Downloads
Referências
BAIJENS, Laura W. J. et al. European Society for Swallowing Disorders – European Union Geriatric Medicine Society white paper: oropharyngeal dysphagia as a geriatric syndrome. Clinical Interventions in Aging, v. 11, p. 1403-1428, 2016. DOI: https://doi.org/10.2147/CIA.S107750.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
BRASIL. Lei nº 14.572, de 8 de maio de 2023. Institui a Política Nacional de Saúde Bucal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 maio 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 out. 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde bucal. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2008. (Cadernos de Atenção Básica, n. 17).
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006. (Cadernos de Atenção Básica, n. 19).
CRUZ-JENTOFT, Alfonso J. et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age and Ageing, v. 48, n. 1, p. 16-31, 2019. DOI: https://doi.org/10.1093/ageing/afy169.
FRIED, Linda P. et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. The Journals of Gerontology: Series A, v. 56, n. 3, p. M146-M156, 2001. DOI: https://doi.org/10.1093/gerona/56.3.M146.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global oral health status report: towards universal health coverage for oral health by 2030. Geneva: World Health Organization, 2022.
TANAKA, Tomoki et al. Oral frailty as a risk factor for physical frailty and mortality in community-dwelling elderly. The Journals of Gerontology: Series A, v. 73, n. 12, p. 1661-1667, 2018. DOI: https://doi.org/10.1093/gerona/glx225.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.