A CRÍTICA À CIENTOMETRIA E AO COLONIALISMO ACADÊMICO: DESAFIOS DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NA UNIVERSIDADE BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.035-063Palavras-chave:
Cientometria, Colonialismo acadêmico, Universidade brasileira, Produção científicaResumo
O presente artigo, estruturado como um estudo de revisão bibliográfica, analisa criticamente a relação entre a cientificidade, o produtivismo académico e o colonialismo epistémico no seio da universidade brasileira. O objetivo principal consiste em investigar de que modo a submissão às métricas quantitativas de avaliação científica, impostas pelos centros hegemónicos de poder global, impacta a autonomia intelectual e a relevância social da produção académica nacional. Metodologicamente, a pesquisa configura-se como um estudo teórico e bibliográfico de abordagem qualitativa, fundamentado na análise crítica de obras seminais. O percurso analítico cruza as perspetivas de Renato Ortiz e Nildo Ouriques acerca da fetichização da cientometria com os contributos do pensamento social e decolonial de Boaventura de Sousa Santos, Florestan Fernandes e Álvaro Vieira Pinto. Os resultados apontam que a absolutização dos indicadores produtivistas atua como um mecanismo de controle que desvaloriza as epistemologias locais e promove uma monocultura do saber. Esta dinâmica consolida uma dependência epistémica, tecnológica e cultural, afastando o investigador das reais necessidades da sua comunidade. Conclui-se, por conseguinte, que a superação deste cenário de subordinação exige uma profunda reconfiguração das políticas de avaliação e a reafirmação do papel social da universidade, de modo a construir uma ciência descolonizada, orientada para a emancipação social e capaz de responder aos complexos desafios da sociedade brasileira.
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Referências
Fernandes, Florestan. A Revolução Burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
Ortiz, Renato. Cientificidade, Cientometria e Insensatez. In: A Diversidade dos Sotaques. São Paulo: Brasiliense, 2008.
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Pinto, Álvaro Vieira. O Conceito de Tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.
Santos, Boaventura de Sousa. A Universidade no Século XXI: Para uma Reforma Democrática e Emancipatória da Universidade. São Paulo: Cortez, 2007.
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