DESAFIOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DA DENGUE NO SISTEMA DE SAÚDE DO AMAZONAS
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n4-012Palavras-chave:
Dengue, Vigilância Epidemiológica, Amazônia, Saúde Pública, ArbovirosesResumo
A dengue é uma das principais arboviroses de relevância mundial e representa um importante problema de saúde pública em países tropicais e subtropicais, como o Brasil. A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, cuja proliferação é favorecida por fatores ambientais, climáticos e socioeconômicos. No estado do Amazonas, o cenário torna-se mais complexo devido à grande extensão territorial, elevada pluviosidade, altas temperaturas e dificuldades de acesso aos serviços de saúde, principalmente em municípios do interior e comunidades vulneráveis. Desde a primeira epidemia registrada em 1998, a dengue tornou-se endêmica na região, inicialmente com circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2, seguida pela introdução dos sorotipos DENV-3 e DENV-4, aumentando o risco de formas graves da doença. Estudos apontam ainda a ocorrência de coinfecções entre sorotipos, evidenciando a complexidade epidemiológica da dengue no Amazonas. Nesse contexto, a vigilância epidemiológica desempenha papel fundamental na detecção precoce de surtos, monitoramento viral e implementação de medidas de controle, embora enfrente desafios como subnotificação, escassez de profissionais qualificados, dificuldades logísticas e fragmentação dos sistemas de informação. Fatores climáticos, como altas temperaturas, umidade elevada e chuvas intensas, favorecem a reprodução acelerada do vetor e ampliam sua disseminação, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas. Além disso, pesquisas demonstram que baixos índices de saneamento básico e coleta de esgoto contribuem significativamente para o aumento dos casos de dengue em municípios amazonenses. Problemas como armazenamento inadequado de água, o acúmulo de detritos sólidos e a urbanização desordenada são fatores que contribuem para o acúmulo de resíduos sólidos e a urbanização descontrolada favorecem a formação de criadouros do mosquito, evidenciando a relação da doença com desigualdades sociais e ambientais. Outro desafio relevante é o baixo engajamento da população nas ações preventivas, comprometendo estratégias como o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Estudos realizados no sul do Amazonas mostram que, apesar de parte da população conhecer os sintomas e formas de prevenção da doença, ainda há necessidade de ampliar ações contínuas ações de educação em saúde e sensibilização da população. Nesse sentido, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) têm se mostrado importantes ferramentas para fortalecer práticas educativas voltadas à prevenção da dengue. A pandemia de COVID-19 agravou as fragilidades da vigilância epidemiológica no Amazonas, reduzindo ações de controle vetorial e monitoramento epidemiológico, resultando em aumento de casos e possível subnotificação. Diante desse cenário, torna-se essencial a adoção de estratégias integradas envolvendo vigilância epidemiológica, gestão ambiental, melhoria do saneamento básico, educação em saúde e fortalecimento da atenção primária. Conclui-se que os desafios da vigilância da dengue no Amazonas estão relacionados às condições socioambientais, às limitações estruturais do sistema de saúde e à necessidade de fortalecimento das políticas públicas integradas, associadas à participação comunitária, para reduzir a incidência da doença e promover melhorias sustentáveis na saúde coletiva.
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