O ANTI-INTELECTUALISMO ALEMÃO E A DESTRUIÇÃO DA AUTONOMIA EPISTÊMICA NO TERCEIRO REICH
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.069-016Palabras clave:
Anti-intelectualismo, Ciência, Estado, Nazismo, TotalitarismoResumen
O presente artigo analisa o anti-intelectualismo alemão no contexto do Terceiro Reich, compreendendo-o como um fenômeno estrutural vinculado à reorganização das condições de produção e validação do conhecimento sob a lógica do poder político. Parte-se da hipótese de que o nacional-socialismo não promoveu a rejeição da ciência, mas sua captura e reconfiguração ideológica, subordinando-a aos interesses do Estado e à autoridade do Führer. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza teórico-bibliográfica, orientada por uma abordagem hermenêutico-crítica e fundamentada em autores como Evans, Kershaw, Proctor, Arendt, Bauman e Koonz. Os resultados indicam que o anti-intelectualismo nazista operou por meio de três eixos principais: (i) a destruição institucional da autonomia acadêmica, com o expurgo de intelectuais e a reorganização das universidades sob a lógica da Gleichschaltung; (ii) a instrumentalização da ciência como mecanismo de legitimação das políticas raciais e de exclusão; e (iii) a personalização da verdade na figura de Adolf Hitler, que redefiniu os critérios de validade do conhecimento. Conclui-se que a erosão da autonomia epistêmica constituiu uma condição fundamental para a consolidação do regime totalitário, evidenciando que o controle do saber não é apenas um instrumento de poder, mas um elemento estruturante da dominação autoritária.
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Referencias
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