TIRZEPATIDA E GINECOLÓGICA: IMPACTOS NO CICLO MENSTRUAL, SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO E CONSIDERAÇÕES SOBRE RISCOS E BENEFÍCIOS REPRODUTIVOS

Autores/as

  • Kelson Palhari Cruz Autor
  • Rafaela Sartori Tonin Dagostini Autor
  • Beatriz Heloisa Born Autor
  • Laura Melo Rosa Autor
  • Dionízio Matos Romeiro Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.049-017

Palabras clave:

Saúde ginecológica, Eixo hormonal, Inflamação, Obesidade, Eixo endócrino

Resumen

A tirzepatida, agonista duplo dos receptores do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) e do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP), tem demonstrado elevada eficácia no controle glicêmico e na promoção de perda ponderal significativa em indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 e obesidade. Dada a estreita interação entre o estado metabólico e a função reprodutiva feminina, tem-se investigado o potencial impacto dessa terapia sobre parâmetros ginecológicos, especialmente no ciclo menstrual e na síndrome do ovário policístico (SOP). A SOP caracteriza-se por hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e, frequentemente, resistência à insulina, configurando um cenário no qual intervenções metabólicas podem exercer efeitos indiretos relevantes sobre a função ovariana. Nesse contexto, a tirzepatida, ao melhorar a sensibilidade insulínica e promover redução do peso corporal, pode contribuir para a diminuição da hiperinsulinemia compensatória e, consequentemente, para a redução da produção ovariana de andrógenos. Tais mecanismos podem favorecer a restauração da ovulação e a regularização do ciclo menstrual, particularmente em pacientes com fenótipo metabólico predominante. Estudos com agonistas do receptor de GLP-1, classe farmacológica relacionada, já demonstraram benefícios na regularidade menstrual e na taxa de ovulação em mulheres com SOP, o que sustenta a plausibilidade biológica de efeitos semelhantes com a tirzepatida. Contudo, evidências clínicas diretas ainda são limitadas, e a maioria dos dados disponíveis deriva de extrapolações ou análises indiretas.Adicionalmente, alterações no ciclo menstrual podem ocorrer, sobretudo no início do tratamento, possivelmente relacionadas à rápida perda ponderal e às adaptações do eixo neuroendócrino. Do ponto de vista reprodutivo, a melhora da função ovulatória pode aumentar a fertilidade, implicando risco potencial de gestações não planejadas. Ressalta-se, entretanto, que a segurança da tirzepatida durante a gestação não está estabelecida, sendo recomendada a sua descontinuação no período pré-concepcional.

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Publicado

2026-04-22

Cómo citar

Cruz, K. P., Dagostini, R. S. T., Born, B. H., Rosa, L. M., & Romeiro, D. M. (2026). TIRZEPATIDA E GINECOLÓGICA: IMPACTOS NO CICLO MENSTRUAL, SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO E CONSIDERAÇÕES SOBRE RISCOS E BENEFÍCIOS REPRODUTIVOS. Aurum Editora, 179-190. https://doi.org/10.63330/aurumpub.049-017

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