O SERVIDOR TÉCNICO-ADMINISTRATIVO COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO INSTITUCIONAL: EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E POLÍTICAS SOCIAIS EM DISPUTA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.050-045Palavras-chave:
Educação antirracista, Extensão universitária, Técnico-administrativo em educação, Políticas sociais, DecolonialidadeResumo
O presente capítulo relata a experiência do Ciclo Permanente de Atividades de Educação Antirracista (CPAEA), projeto de extensão universitária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), coordenado e executado por um Técnico Administrativo em Educação (TAE). O estudo configura-se como relato de experiência de natureza qualitativa, com base em registros institucionais, observação participante e análise documental. A pesquisa parte do pressuposto de que o servidor técnico-administrativo pode ocupar uma posição de agente de transformação institucional, e não apenas de suporte operacional, quando sua prática é informada por formação crítica e comprometimento político. A análise articula três dimensões: a prática extensionista antirracista construída no âmbito do CPAEA; a formação acadêmica em nível de mestrado no campo das políticas sociais e dos direitos humanos; e o marco normativo e teórico que estrutura a educação superior pública no Brasil. A análise mobiliza referenciais do pensamento negro e das teorias decoloniais (Nilma Lino Gomes, Frantz Fanon, bell hooks e Audre Lorde) para situar a prática do CPAEA no interior das disputas que atravessam a universidade pública brasileira contemporânea. Os resultados evidenciam que a posição institucional do TAE, frequentemente subalternizada na estrutura universitária, pode ser reocupada como lugar de enunciação política e pedagógica. Conclui-se que a articulação entre prática extensionista e formação acadêmica constitui condição para o exercício pleno da função pública comprometida com o enfrentamento do racismo estrutural.
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