A AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA DA CURCUMINA COMO TERAPIA ADJUVANTE NA RETOCOLITE ULCERATIVA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.049-032Palavras-chave:
Curcumina, Retocolite ulcerativa, Ação anti-inflamatória, Microbiota intestinal, Terapia adjuvanteResumo
A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal crônica de origem idiopática que acomete principalmente a mucosa do reto, podendo se estender ao cólon, e manifesta-se por sintomas como diarreia sanguinolenta, dor abdominal, perda de peso e prejuízo na qualidade de vida dos pacientes. Sua fisiopatologia está relacionada a uma resposta imunológica desregulada, influenciada por fatores genéticos, ambientais, alterações na microbiota intestinal, dieta e estresse, resultando em um processo inflamatório persistente e danos à mucosa intestinal. O tratamento convencional envolve o uso de aminossalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos, que, embora eficazes em muitos casos, podem apresentar limitações, como efeitos adversos e falha terapêutica, especialmente em pacientes com formas moderadas a graves da doença. Nesse contexto, cresce o interesse por terapias complementares que atuem como adjuvantes no controle da inflamação. A curcumina, principal composto bioativo da Cúrcuma longa, destaca-se por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, imunomoduladoras e antimicrobianas, sendo amplamente investigada como potencial agente terapêutico em doenças inflamatórias intestinais. O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica qualitativa, a ação da curcumina e seu potencial como terapia complementar no tratamento da retocolite ulcerativa. Foram analisados 19 estudos publicados entre 2020 e 2025, incluindo ensaios clínicos, revisões sistemáticas, meta-análises e estudos experimentais, obtidos em bases como PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico. Os resultados indicam que a curcumina atua na modulação de vias inflamatórias, reduzindo a produção de citocinas pró- inflamatórias, além de contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal e melhora da integridade da mucosa. Também foram observados benefícios na redução de sintomas clínicos e na manutenção da remissão da doença, embora alguns estudos apresentem resultados inconclusivos. Conclui-se que a curcumina apresenta potencial promissor, porém ainda são necessários mais estudos para confirmar sua eficácia e padronizar seu uso clínico.
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