PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO NO BRASIL: SUBEMPREGO QUALIFICADO, DESVALORIZAÇÃO SALARIAL E CRISE DA PROMESSA DE ASCENSÃO PELO ENSINO SUPERIOR
Palabras clave:
Ensino superior, Mobilidade social, Precarização do trabalho, Sobrequalificação, Subemprego qualificadoResumen
O artigo examina criticamente a precarização das condições de trabalho entre pessoas diplomadas no Brasil contemporâneo, problematizando a associação historicamente consolidada entre ensino superior e ascensão social. O objetivo é compreender de que modo a expansão da escolarização formal, embora socialmente relevante, deixou de operar como garantia automática de inserção ocupacional qualificada, remuneração digna e estabilidade. Trata-se de ensaio teórico de base bibliográfico-documental, articulado a uma revisão narrativa da literatura e ao exame de dados secundários do IBGE e do Ipea, em diálogo com a sociologia do trabalho e a sociologia da educação, mobilizando autores como Bourdieu, Castel, Sennett, Antunes, Standing e Boltanski e Chiapello. Sustenta-se que a precarização dos diplomados não decorre da perda absoluta de valor do diploma, mas da combinação entre expansão educacional, fragilidade do desenvolvimento produtivo, escassez de postos qualificados, flexibilização das relações de trabalho e individualização da responsabilidade pelo êxito profissional. Discutem-se o subemprego qualificado, a sobrequalificação, o desajuste ocupacional, a desvalorização salarial e as formas contemporâneas de informalidade, terceirização, pejotização e plataformização. Conclui-se que o diploma permanece um capital relevante, ainda que insuficiente quando isolado de condições estruturais, e que sua conversão em mobilidade social depende de políticas que articulem educação, trabalho decente, desenvolvimento produtivo e proteção social.
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