BIOENGENHARIA SAGRADA: CORPO, INICIAÇÃO E TECNOLOGIAS ANCESTRAIS NAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

Autores/as

  • Alan Christian Moreira dos Santos Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/armv2n1-009

Palabras clave:

Bioengenharia sagrada, Corpo, Iniciação, Àṣẹ, Ervas sagradas (ewé), Transe ritual, Religiões de matriz africana

Resumen

Este artigo analisa o corpo e a iniciação nas religiões de matriz africanacomo expressões de uma bioengenharia sagrada, isto é, como tecnologias ancestrais sofisticadas de produção, manutenção e transmissão da vida. A partir de revisão teórico-bibliográfica, demonstra-se que o corpo não constitui mero suporte passivo do sagrado, mas território ativo de inscrição do Àṣẹ, onde natureza, ancestralidade e divindade convergem. O trabalho articula três eixos fundamentais: (1) o corpo como categoria ontológica nas cosmologias africanas, em contraste com a cisão cartesiana moderna; (2) a iniciação como processo técnico de reconfiguração do Orí e inserção consciente na rede de circulação vital; (3) as ervas, o sangue e o transe como elementos constitutivos de uma farmacopeia ritual empiricamente fundamentada. Argumenta-se que essas práticas representam não folclore ou superstição, mas sistemas complexos de cuidado integral que articulam saúde física, mental, espiritual e comunitária. O estudo evidencia que reconhecer a iniciação como bioengenharia implica superar epistemicídios históricos e afirmar a pluralidade de racionalidades legítimas na produção de conhecimento sobre o corpo e a vida.

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Publicado

2026-02-03

Cómo citar

BIOENGENHARIA SAGRADA: CORPO, INICIAÇÃO E TECNOLOGIAS ANCESTRAIS NAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA. (2026). Aurum Revista Multidisciplinar, 2(1), 1-9. https://doi.org/10.63330/armv2n1-009