PEDAGOGIA DA IMPLICAÇÃO E DOCÊNCIA INTERSECCIONALMENTE SITUADA: FUNDAMENTOS ÉTICO-POLÍTICOS PARA UMA EDUCAÇÃO EMANCIPATÓRIA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.028-029Palavras-chave:
Pedagogia crítica, Interseccionalidade, Epistemologias do Sul, Ética docente, EmancipaçãoResumo
Este artigo analisa as implicações éticas e políticas da interseccionalidade para a docência, propondo uma releitura da pedagogia crítica a partir de uma perspectiva decolonial. Parte-se do reconhecimento de que a escola é um espaço atravessado por desigualdades de raça, gênero, classe e território, o que exige repensar a prática educativa como campo de poder e de disputa simbólica. O problema que orienta o estudo consiste em compreender de que modo a interseccionalidade pode constituir-se em fundamento ético e político da práxis emancipatória. Adota-se uma abordagem qualitativa de natureza teórica, fundamentada em Paulo Freire, nas teorias feministas interseccionais de Kimberlé Crenshaw, Patricia Hill Collins e Sirma Bilge, e nas epistemologias do Sul de Boaventura de Sousa Santos. O percurso metodológico segue uma hermenêutica crítica, orientada pela articulação entre reflexão teórica e implicação política. A análise evidencia que a interseccionalidade desestabiliza o universalismo da pedagogia freiriana, introduzindo a diferença e a pluralidade como dimensões constitutivas da emancipação. Como resultado, o estudo propõe duas categorias teóricas centrais: pedagogia da implicação, que desloca o foco da conscientização para a responsabilidade situada do educador, e docência interseccionalmente situada, que compreende o ensino como prática relacional de justiça cognitiva. Conclui-se que educar é um gesto de implicação ética com o outro e com o mundo, no qual a emancipação se realiza como processo coletivo de reconhecimento, diálogo e reconstrução do comum.
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