A FALA CAIPIRA E O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA: ASPECTOS LINGUÍSTICOS, HISTÓRICOS E CULTURAIS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.028-026Palavras-chave:
Fala caipira, Variação linguística, Estigmatização, Identidades regionaisResumo
O presente artigo investiga a fala caipira como variedade historicamente constituída do Português Brasileiro, a partir do exame de seu percurso de formação, de sua estrutura linguística e dos efeitos sociais que regulam sua circulação, sobretudo no contexto escolar. A investigação, de natureza qualitativa e bibliográfica, fundamenta-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista, que compreende a língua como fenômeno socialmente condicionado e sensível a fatores históricos, culturais e estruturais. A discussão teórica mostra que essa forma de falar não deriva de usos aleatórios, mas de um processo contínuo de formação territorial, de contatos linguísticos diversos e de redes sociais densas que favoreceram a manutenção de traços fonéticos, morfossintáticos e lexicais específicos. Assim sendo, fenômenos como monotongação, rotacismo e simplificação de concordâncias revelam um sistema coerente associado a práticas comunitárias persistentes. Também se observa que a estigmatização dessa variedade se intensificou com a expansão urbana e com políticas educacionais normativas, gerando tensões entre usos locais e expectativas escolares. Conclui-se, pois, que reconhecer a legitimidade estrutural e histórica da fala caipira amplia a compreensão da diversidade linguística brasileira e fortalece práticas pedagógicas que valorizem identidades regionais, superando visões homogêneas e excludentes no ensino de língua portuguesa.
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