MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO DO CAMPO: CONSTRUINDO ALTERNATIVAS AO CAPITALISMO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.067-052Palabras clave:
Educação do Campo, Movimentos Sociais do Campo, Questão Agrária, Resistência, TerritórioResumen
Este artigo analisa as relações entre Questão Agrária, Movimentos Sociais do Campo e Educação do Campo, a partir das experiências de organização, trabalho, resistência e construção territorial no Assentamento Andalucia, em Nioaque, Mato Grosso do Sul. Com abordagem qualitativa, a pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e pesquisa de campo, com observação participante, entrevistas semiestruturadas, relatos orais, diário de campo e registros de áudio. Os resultados evidenciam que a trajetória do assentamento foi constituída por acampamentos, ocupações, despejos, mobilizações e práticas de organização coletiva, configurando processos de formação política e social. Após a conquista da terra, as famílias desenvolveram estratégias de produção, autoconsumo, comercialização, cooperação e participação associativa, articuladas ao acesso a políticas públicas e às condições de permanência no território. No âmbito educacional, a experiência da “escola de lona”, da Escola Municipal Edson Borck Rocha e das práticas posteriores demonstra a centralidade da educação na formação dos sujeitos. Conclui-se que a Educação do Campo, articulada à organização coletiva e aos saberes territoriais, contribui para fortalecer a resistência, a autonomia e a permanência das famílias no campo.
Descargas
Referencias
ARROYO, Miguel Gonzalez. Outros sujeitos, outras pedagogias. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
BIZERRA, Fagner Lira. A territorialização do MST no Mato Grosso do Sul (1979-2019): o debate paradigmático como método de análise. 2020. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo, 2020.
BOGDAN, Robert C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora, 1994.
BRASIL. Decreto de 24 de novembro de 1993. Declara de interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural denominado “Fazenda Andalucia”, situado no Município de Nioaque, Estado de Mato Grosso do Sul, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1993. Disponível em: Planalto – Decreto de 24 de novembro de 1993. Acesso em: 2 set. 2026.
BRASIL. Decreto nº 7.352, de 4 de novembro de 2010. Dispõe sobre a política de educação do campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 5 nov. 2010.
CALDART, Roseli Salete. Educação do campo: notas para uma análise de percurso. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 35-64, mar./jun. 2009.
CALDART, Roseli Salete. Educação do campo. In: CALDART, Roseli Salete; PEREIRA, Isabel Brasil; ALENTEJANO, Paulo; FRIGOTTO, Gaudêncio (org.). Dicionário da educação do campo. São Paulo: Expressão Popular; Rio de Janeiro: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, 2012. p. 257-264.
CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra. 4. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2004.
CALDART, Roseli Salete. Sobre educação do campo. In: SANTOS, Clarice Aparecida dos (org.). Por uma educação do campo: campo – políticas públicas – educação. Brasília, DF: INCRA/MDA, 2008. p. 67-86.
DIAS, Cristiane Francelina. Dialética na práxis e consciência de classe do MST (Brasil) e MNCI (Argentina). 2021. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2021.
FELICIANO, Carlos Alberto. Movimento camponês rebelde: a reforma agrária no Brasil. São Paulo: Contexto, 2006.
FERNANDES, Bernardo Mançano. A formação do MST no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
FERNANDES, Bernardo Mançano. Educação do campo e território camponês no Brasil. In: SANTOS, Clarice Aparecida dos (org.). Por uma educação do campo: campo – políticas públicas – educação. Brasília, DF: INCRA/MDA, 2008. p. 39-66.
FERNANDES, Bernardo Mançano. MST: formação e territorialização. São Paulo: Hucitec, 1996.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA). Assentamentos da reforma agrária. Brasília, DF: INCRA, 2015.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora; Piseagrama, 2023.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2006.
STEDILE, João Pedro (org.). A questão agrária no Brasil: história e natureza das Ligas Camponesas (1954-1964). 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.
STEDILE, João Pedro; FERNANDES, Bernardo Mançano. Brava gente: a trajetória do MST e a luta pela terra no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abram
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.