REDEFININDO A NARRATIVA: A INFLUÊNCIA DA AGENDA SETTING E DAS TEORIAS DE PODER NA COBERTURA JORNALÍSTICA SOBRE A FOME
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.051-005Palabras clave:
Agenda Setting, Análise de conteúdo, Fome, Insegurança alimentar, MídiaResumen
A fome e a insegurança alimentar constituem problemas estruturais historicamente associados à desigualdade social brasileira, cujos impactos foram intensificados no contexto da pandemia da covid-19. Apesar da relevância social e política do tema, observa-se baixa centralidade do assunto na cobertura de veículos jornalísticos regionais. Nesse cenário, o presente estudo analisa a presença e o tratamento da pauta da fome no jornal impresso Folha de Pernambuco ao longo do ano de 2021, período marcado por indicadores alarmantes de insegurança alimentar no país e por acontecimentos simbólicos e institucionais vinculados ao enfrentamento do problema no estado de Pernambuco. A pesquisa foi conduzida por meio de análise de conteúdo, com base no referencial metodológico de Bardin, aplicada ao corpus composto por 314 edições diárias do periódico, totalizando 5.878 páginas. Foram identificados textos contendo as expressões “fome” e/ou “insegurança alimentar” em títulos ou subtítulos, com posterior filtragem para exclusão de usos figurativos do termo. Os resultados indicaram baixa incidência de publicações elegíveis, com predomínio de conteúdos informativos de caráter episódico, limitada à problematização estrutural e enfoque recorrente em ações assistencialistas. A discussão sugere que a seletividade editorial observada pode ser interpretada à luz da teoria da Agenda Setting, evidenciando processos de invisibilização temática e de redução discursiva de um fenômeno social complexo.
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