MATEMÁTICA E HISTÓRIA AFRICANA EM DIÁLOGO: PERSPECTIVAS TEÓRICO PEDAGÓGICAS PARA ESCOLAS PÚBLICAS DO EXTREMO SUL DA BAHIA

Autores

  • Adriel Batista Ferreira Autor
  • Gustavo Souza de Melo Autor
  • Michele Soares Santos Autor
  • Anisio Andre Santos Junior Autor
  • Fernando Muraro Saldanha Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.028-055

Palavras-chave:

Etnomatemática, Lei 10.639/03, História da África, Interdisciplinaridade, Extremo Sul da Bahia

Resumo

O ensino da Matemática no Brasil tem sido marcado por uma perspectiva eurocêntrica que a apresenta como ciência neutra e desvinculada de contextos culturais, invisibilizando os saberes africanos e suas contribuições históricas. Essa questão se torna ainda mais relevante no Extremo Sul da Bahia, região de forte presença afrodescendente e quilombola, onde a ausência de aplicação efetiva da Lei nº 10.639/03 nas ciências exatas reforça os processos de exclusão escolar. Este artigo, fundamentado em pesquisa bibliográfica qualitativa, busca analisar os fundamentos teórico-metodológicos que possibilitam a integração entre Matemática e História da África sob a ótica da Etnomatemática, desconstruindo o mito da inexistência de pensamento lógico africano e apresentando evidências como sistemas numéricos ancestrais, fractais na arquitetura e jogos tradicionais como o Mancala, aplicáveis em sala de aula. Ao articular esses saberes com a realidade local, o estudo demonstra que valorizar o patrimônio cultural do Extremo Sul baiano é essencial para uma aprendizagem significativa e conclui que a Etnomatemática não se limita a um recurso didático, mas constitui uma estratégia de justiça cognitiva e descolonialidade curricular, capaz de reconectar a escola à identidade dos estudantes.

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Publicado

2026-01-27

Como Citar

MATEMÁTICA E HISTÓRIA AFRICANA EM DIÁLOGO: PERSPECTIVAS TEÓRICO PEDAGÓGICAS PARA ESCOLAS PÚBLICAS DO EXTREMO SUL DA BAHIA. (2026). Aurum Editora, 649-666. https://doi.org/10.63330/aurumpub.028-055