CRÍTICA DA LINGUÍSTICA APLICADA, LETRAMENTO CRÍTICO E QUESTÕES LGBTQIA+ NO ENSINO DE INGLÊS NO BRASIL: REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.022-023Palavras-chave:
Linguística Aplicada Crítica, Letramento Crítico, Gênero e Sexualidade, Ensino de Língua Inglesa, CidadaniaResumo
Este artigo de revisão de literatura propõe uma reflexão aprofundada sobre a urgência da incorporação da pauta LGBTQIA+ no contexto da Educação de Língua Inglesa (ELI) no Brasil, fundamentando-se nos pressupostos teóricos da Linguística Aplicada Crítica (LAC) e do Letramento Crítico (LC). A investigação parte do pressuposto de que, embora documentos oficiais como a BNCC e as diretrizes curriculares nacionais preconizem a formação de um cidadão crítico e participativo, a prática pedagógica cotidiana e o currículo escolar permanecem majoritariamente conservadores, operando sob uma "pedagogia do silêncio" que invisibiliza questões de gênero e sexualidade. Através de um levantamento bibliográfico que abrange desde a formação inicial de professores até práticas no Ensino Médio Integrado e projetos de extensão universitária, o estudo analisa como a LAC, enquanto ciência social interdisciplinar e politicamente engajada, permite problematizar as relações de poder e as hegemonias identitárias presentes na linguagem. Os resultados da análise de quatro estudos de caso principais demonstram que a aplicação do Letramento Crítico, mediada por gêneros textuais disruptivos como o Rap LGBT e materiais multimodais, não apenas favorece o combate à homofobia e ao preconceito, mas também impulsiona um desenvolvimento linguístico-discursivo mais significativo e autêntico. Conclui-se que o ensino de inglês deve atuar como um espaço de "reexistência", onde a formação ética e a justiça social caminham lado a lado com a proficiência linguística, exigindo uma reestruturação da formação docente para que o professor assuma seu papel de intelectual transformador diante da diversidade.
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