PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E IMPACTO HOSPITALAR DA AIDS EM CURITIBA (PR) ENTRE OS ANOS DE 2015 E 2024
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.024-027Palavras-chave:
Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, Perfil Epidemiológico, Hospitalização, Mortalidade Hospitalar, Custos HospitalaresResumo
Este estudo teve como objetivo principal analisar o perfil epidemiológico, a morbidade e a produção hospitalar, bem como a mortalidade associados aos casos de aids em residentes do município de Curitiba (PR) entre os anos de 2015 e 2024. Trata-se de um estudo descritivo, transversal e retrospectivo, com abordagem quantitativa, utilizando dados do DATASUS (SINAN, SIH e SIM). O cenário foi o município de Curitiba, no Paraná, com recorte entre os anos de 2015 e 2024. No período analisado foram registrados 4.108 casos de aids e em 2024, a taxa de detecção era de 25,4 casos por 100.000 habitantes. Houve predominância dos casos na população masculina (73,2%) e jovem adulta (53,9% dos diagnósticos na faixa etária de 20 a 39 anos). A análise hospitalar revelou uma permanência média prolongada de 25 dias e um impacto financeiro significativo, com o custo médio por internação atingindo R$ 3.502,47 em 2021 e mantendo-se elevado em 2024 (R$ 2.706,85). Identificou-se um cenário paradoxal na mortalidade: embora o número absoluto de óbitos tenha reduzido 35,6% após 2021, chegando ao menor valor da série em 2024 (85 registros), a taxa de letalidade hospitalar dobrou na década, alcançando 15,25%. Prevaleceram óbitos no sexo masculino (68,6%) e em pessoas brancas (70,4%). Conclui-se que, apesar da redução absoluta dos óbitos, a alta letalidade intrahospitalar e a complexidade das internações evidenciam diagnósticos tardios e falhas na retenção e na adesão medicamentosa, configurando a aids como um evento sentinela que exige o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde.
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