ENTRE A NORMA E A VIDA: OS PROTOCOLOS DE JULGAMENTO COM PERSPECTIVA DE GÊNERO E RACIAL DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, A INTERSECCIONALIDADE E A CONTINUIDADE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO DIREITO DE FAMÍLIA

Autores

  • Ailla Carla Farias dos Santos Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.066-003

Palavras-chave:

Conselho Nacional de Justiça, Direito de família, Formação jurídica, Guarda compartilhada, Interseccionalidade, Lei número 14.713, de 2023, Medidas protetivas, Perspectiva de gênero, Perspectiva racial, Protocolos de julgamento, Violência doméstica, Violência vicária

Resumo

O capítulo examina como os protocolos de julgamento com perspectiva de gênero e racial, instituídos pelo Conselho Nacional de Justiça por meio das Resoluções números 492 e 598, respectivamente, oferecem à magistratura brasileira um instrumental metodológico para romper com a fragmentação histórica entre conjugalidade e parentalidade que permitiu que o direito de família operasse, involuntariamente, como mecanismo de continuidade da violência doméstica. Demonstra-se que a aplicação interseccional desses protocolos, combinada com a revisão crítica da formação jurídica tradicional nas faculdades de direito, é condição necessária para que situações de violência doméstica deixem de ser reproduzidas por via processual. O texto articula a fundamentação normativa e regulatória desses instrumentos, sua ancoragem em compromissos internacionais de direitos humanos e a jurisprudência dos tribunais superiores, particularmente a do Superior Tribunal de Justiça acerca da guarda compartilhada. Examina-se especificamente a Lei número 14.713, de 2023, como avanço legislativo que reconhece o risco de violência como causa impeditiva ao compartilhamento da guarda, e aborda-se o fenômeno denominado violência vicária, que descreve a instrumentalização dos filhos como meio de manutenção do controle do agressor sobre a vítima. Conclui-se que a formação jurídica brasileira, desde a graduação, deve internalizar a metodologia dos protocolos não como exigência burocrática, mas como compromisso ético com a dignidade daqueles que buscam no Poder Judiciário o encerramento de ciclos de violência que a vida, sozinha, não conseguiu interromper.

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Publicado

2026-09-21

Edição

Seção

Capítulos

Como Citar

dos Santos, A. C. F. (2026). ENTRE A NORMA E A VIDA: OS PROTOCOLOS DE JULGAMENTO COM PERSPECTIVA DE GÊNERO E RACIAL DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, A INTERSECCIONALIDADE E A CONTINUIDADE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO DIREITO DE FAMÍLIA. Aurum Editora (e-Books), 33-42. https://doi.org/10.63330/aurumpub.066-003