COSMOVISÃO MACHISTA E VIOLÊNCIA ESTRUTURAL EM SÃO BERNARDO DE GRACILIANO RAMOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv1n6-015Palavras-chave:
Graciliano Ramos, São Bernardo, Paulo Honório, Violência, CosmovisãoResumo
O presente artigo realiza uma análise crítica da obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, enfocando a narrativa autobiográfica de Paulo Honório como instrumento revelador dos mecanismos de poder, violência, alienação intelectual e cosmovisão patriarcal presentes na sociedade brasileira da primeira metade do século XX. A partir da perspectiva de autores como Foucault e Deleuze, o estudo demonstra como o poder opera de forma difusa, articulando dominação simbólica e práticas discursivas que sustentam a brutalidade do protagonista. A violência, longe de se restringir ao plano físico, configura-se como técnica estratégica de controle, afetando subjetividades e silenciando resistências. No contexto da relação com Madalena, a mulher é convertida em objeto de posse, evidenciando um processo de “coisificação” que culmina em sua morte. Assim, Paulo Honório representa não apenas um agente violento, mas o produto de uma estrutura que legitima a exclusão e a repressão. A autobiografia do personagem revela-se, por fim, como um espaço de confissão amarga, onde o fracasso humano se torna síntese da desumanização promovida pelo poder.
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