PERFIL DA MORTALIDADE MATERNA EM SERGIPE CAUSADA POR SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO

Autores

  • Kathucia Calmon Mendonça Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/armv1n6-013

Palavras-chave:

Síndromes Hipertensivas, Óbitos Maternos, Gestação, Sergipe

Resumo

Introdução: A mortalidade materna é inaceitavelmente alta e representa um grave problema de saúde pública. Todos os dias, aproximadamente 830 mulheres morrem de causas evitáveis relacionadas à gravidez e ao parto em todo o mundo, e 99% de todas as mortes maternas ocorrem em países em desenvolvimento. Dessa forma, o estudo tem grande relevância social e para área da saúde. Objetivo: Compreender e identificar o perfil epidemiológico dos óbitos maternos por Síndromes Hipertensivas Gestacionais (SHG) no estado de Sergipe. Matérias e Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo, epidemiológico do tipo ecológico de caráter quantitativo, com o perfil descritivo transversal do estado de Sergipe. Resultados: Reuniu-se evidências científicas do período de 2017 a 2023. Conforme os dados de óbitos maternos por síndromes hipertensivas coletados no DATASUS é observado que a faixa etária com maior taxa de mortalidade foi entre as mulheres de 30 a 39 anos representando 50% do total de óbitos. Através desses dados é observado também, que o maior número de óbitos maternos por síndromes hipertensivas no estado de Sergipe foi de mulheres pardas representando 62,5% do total de óbitos nessa classificação, se juntarmos as mulheres pretas e pardas temos aproximadamente 79,2% do total. A análise em relação à escolaridade revelou que a maior taxa de óbito foi entre as mulheres que tinham de 8 a 11 anos de estudo representando aproximadamente 45,83% do total de óbitos. Ao analisar a tabela relacionada sobre os dados conjugais observou-se que o número maior de óbitos de mulheres solteiras representando aproximadamente 54,2% do total. Discursão: A pré-eclâmpsia é uma das doenças contidas nas Síndromes Hipertensivas Gestacionais (SHG) e ocorre na magnitude de 2% a 8% de todas as gestações e constam, no Brasil, como a principal causa de morte materna, essencialmente quando se apresenta nas suas formas mais graves, como a eclâmpsia e a Síndrome HELLP. Neste contexto, considerando a alta porcentagem de óbitos maternos no último ano (aproximadamente, 30% dos casos ocorridos em todo o território nacional), infere-se que a região Nordeste se destaca negativamente em relação à qualidade e/ou oferta dos serviços de saúde à gestante.  Considerações finais: Fica evidente, que a desigualdade socioeconômica impera no estado de Sergipe, pois a maioria das gestantes que mais tiveram complicações por SHG e vieram a óbito foram: pardas, na faixa etária de 30 a 39 anos, com desfavorecimento socioeconômico, sem ensino superior e solteiras. Dessa forma, é de extrema importância a implementação de políticas públicas para reparar esse triste quadro da mortalidade materna evitável, tanto no país como no estado de Sergipe.

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Publicado

2025-08-25

Como Citar

PERFIL DA MORTALIDADE MATERNA EM SERGIPE CAUSADA POR SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO. (2025). Aurum Revista Multidisciplinar, 1(6), 167-181. https://doi.org/10.63330/armv1n6-013