O OUTRO COMO ESPELHO: IMAGINÁRIO E ALTERIDADE NA COLONIZAÇÃO IBERO-AMERICANA (SÉCULOS XVI–XVII)
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.023-003Palavras-chave:
Alteridade, Imaginário europeu, Colonização Ibero-Americana, Companhia de Jesus, Povos indígenasResumo
O artigo analisa o processo de colonização ibero-americana nos séculos XVI e XVII a partir das noções de imaginário e alteridade, fundamentando-se nos aportes teóricos de Adone Agnolin(2007), Tzvetan Todorov (2010), Guilhermo Giucci (1992), Laura de Mello e Souza (1986) dentre outros, compreendendo o encontro entre europeus e povos indígenas como um fenômeno profundamente simbólico, cultural e epistemológico. Argumenta-se que a América não foi percebida como um espaço vazio, mas como um território habitado por sociedades complexas que desafiaram as categorias tradicionais do pensamento europeu. Diante desse confronto, o indígena foi frequentemente representado como bárbaro, bestial ou monstruoso, funcionando como um espelho invertido no qual o europeu projetava seus próprios conflitos religiosos, culturais e políticos, intensificados pelo contexto da Reforma Protestante e da Contrarreforma Católica. A atuação da Companhia de Jesus é examinada como elemento central desse processo, uma vez que os missionários produziram narrativas e práticas catequéticas que, ao mesmo tempo em que buscavam a conversão, legitimavam a sujeição e a dominação dos povos nativos. Por meio da análise de relatos, cartas e interpretações jesuíticas, especialmente no que se refere a práticas como o canibalismo e os rituais de guerra, o estudo demonstra que a alteridade indígena foi construída a partir de categorias europeias que hierarquizavam culturas e justificavam a expansão do cristianismo e do poder imperial. Conclui-se que a colonização deve ser compreendida como um processo no qual identidade e alteridade se constituem mutuamente, revelando tanto a violência da imposição cultural quanto a crise de sentido vivida pela própria Europa diante do encontro com o outro.
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